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Psicofsica Medidas em percepo
A Percepo  uma disciplina da Psicologia com nfase muito grande em investigaes cientficas e em
experimentos de laboratrio e pesquisas de campo. Precisa, portanto, de alguma forma, preocupar-se com as 
medidas e a quantificao de seus resultados. Em geral, toda disciplina desenvolve tcnicas especficas e 
especializadas para lidar com seus problemas particulares de medida. Assim, tambm o campo da percepo 
tem suas tcnicas especiais de medida, geralmente estudadas sob a denominao de mtodos psicofisicos. 
Inicialmente, os mtodos psicofsicos foram desenvolvidos para uma disciplina chamada Psicofsica. Como o 
prprio nome sugere, a Psicofsica procura relacionar funcionalmente os estmulos ou eventos fsicos e as 
sensaes ou perceptos. De maneira ampla,  este o objetivo da disciplina Percepo. Originou-se com Gustav 
Fechner (1801-1887), um estudioso de Medicina, Fsica e Filosofia. Sua primeira preocupao em Psicologia 
Experimental foi medir as sensaes (os perceptos), de forma acurada, em termos do referencial dos estmulos 
fsicos. Mesmo que a Filosofia e a teoria psicolgica que fundamentaram os estudos de Fechner hoje somente 
possuam valor histrico, os mtodos psicofsicos desenvolvidos por ele so ainda amplamente utilizados. Na 
verdade, transcendem o campo da Percepo (e da Psicologia Experimental) inicialmente procurado: tambm 
so empregados em pesquisas de outras cincias, como a Sociologia ou a Fisiologia. 
De maneira mais abrangente, a Psicofsica busca a relao funcional entre as sensaes provocadas por 
estmulos de diferentes magnitudes ou valores. Se houvesse uma relao simples e constante entre os valores 
fsicos de um estmulo e as sensaes provocadas, a questo no apresentaria maiores problemas. No  
assim. Isto pode ser facilmente intudo: em pri35 
meiro lugar, as escalas fsicas utilizadas para medir os estmulos so, em sua maioria, at certo ponto arbitrrias. 
Podemos medir uma distncia em centmetros ou polegadas ou anos-luz; o brilho de uma lmpada pode ser 
expresso em watts ou candeias ou Lamberts, e assim por diante. A maioria das escalas utilizadas para medir um 
estmulo fsico  independente do observador humano. Mas h algumas notveis excees, como o brilho de 
uma luz expressa em lumens ou o volume de um som expresso em decibis relativos  sensibilidade auditiva 
humana. Em segundo lugar, a sensao no corresponde sempre ao estmulo fsico de uma forma simples, a 
ponto de o observador se dar conta disto: o mesmo observador olha o comprimento de uma escada deitada no 
cho e a altura do telhado; tem a ntida sensao de que a distncia  a mesma. Mas ao encostar a escada  
parede percebe que faltam alguns centmetros. Evidentemente, o relgio no deixa de fazer tique-taque quando 
o afastamos do ouvido: 
o estmulo fsico continua presente, mas no h mais uma sensao correspondente. A Psicofsica, em sua 
busca da relao entre o valor do estmulo fsico e a sensao, defronta-se, basicamente, com quatro questes. 
Estas podem ser distinguidas apenas artificialmente, uma vez que em nosso comportamento habitual nos 
deparamos, constantemente, com os quatro aspectos e os solucionamos de uma forma conjunta. 
A primeira questo : qual  a energia mnima (ou grandeza) que um estmulo deve ter para provocar em ns 
uma sensao (ser percebido)? Isto  normalmente considerado como um problema de sensibilidade absoluta, 
e o valor fsico desta magnitude de estmulo  chamado de limiar absoluto. Para que um mdico possa detectar 
uma mancha na radiografia dos pulmes de seu paciente, que tamanho ela precisa ter? Se o filme estiver 
embaado, ser ainda mais difcil detectar a mancha: haver elementos perturbadores. Para o observador, o 
limiar absoluto apresenta, portanto, uma questo de deteco. 
A segunda questo diz respeito  sensibilidade diferencial, ou seja, quanto dois estmulos precisam diferir 
entre si, para que provoquem sensaes diferentes? A menor diferena entre os valores fsicos de dois 
estmulos, que provocam sensaes diferentes e que, portanto, podem ser discriminados,  chamada de limiar 
diferencial. Por exemplo, o mdico tem diante de si a radiografia dos pulmes. Ambos os pulmes esto com 
uma mancha. Quanto uma mancha tem de ser maior que a outra para o mdico decidir qual dos dois pulmes 
est mais afetado? Para o observador, trata-se de uma tarefa de discriminao. Ele precisa distinguir, isto , 
discriminar, vrios estmulos que variam entre si quanto a um mesmo aspecto fsico. 
A terceira questo refere-se ao que representa, para o observador, uma tarefa de reconhecimento. O estmulo, 
depois de detectado, precisa ser reconhecido ou identificado. O mdico detectou uma mancha na radiografia. 
Agora precisa identificar a mancha. Trata-se de um tumor, uma infec o 
corpo estranho? O reconhecimento implica a comparao do estmulo detectado com outros perfeitamente definidos. Estes 
podem estar presentes (o mdico pega um manual e compara os vrios tipos de manchas). Mas, na maioria das vezes, o 
observador faz o reconhecimento em funo de imagens que possui na memria. Quando reconhecemos que a pessoa que se 
aproxima  nosso irmo ou que a fruta sobre a mesa  uma ma, valemo-nos de imagens de nossa memria. 
Por fim, a quarta questo nos transforma num instrumento de medida. Agora queremos, a partir da magnitude de nossa 
sensao, chegar ao valor fsico de estmulo. A tarefa com a qual o observador se defronta  a da construo de uma escala. 
O mdico que encontrou uma mancha nos raios X e a reconheceu como sendo um tumor, vai avaliar a profundidade deste 
baseando-se na densidade da mancha (que ele pode medir). Constantemente, estamos nos valendo de escalas de sensao. 
Por exemplo, quando estimamos a distncia at uma rvore ou o tempo que passou desde que o filme comeou. 
Estas quatro tarefas perceptivas, deteco, discriminao, reconhecimento e formao de escalas, so os temas 
principais da Psico fsica. Relacionam sensaes com valores fsicos do estmulo. Para o estudo cientfico destas tarefas, 
foram desenvolvidos os mtodos de medio  mtodos psicofsicos  que so utilizados na quantificao na maioria dos 
estudos de percepo. 
2.1. Deteco 
O problema bsico de qualquer sistema sensorial  detectar a presena de alteraes de energia no ambiente, ou seja, a 
presena de estmulos, sejam estes olfativos, gustativos, visuais, auditivos etc. Para que ocorra a deteco da energia por 
algum de nossos sistemas sensoriais,  preciso haver um mnimo de energia presente, que corresponde ao limiar absoluto. 
O conceito de limiar absoluto foi introduzido, em Psicologia, por Johann Herbart, em 1824, ao escrever a respeito de limiar 
de conscincia. Ou seja, uma idia somente se tornaria consciente para o observador se tivesse uma certa fora, do 
contrrio permaneceria no inconsciente. Gustav Fechner retomou este conceito e o aplicou diretamente ao conceito de 
sensao, tal como  empregado ainda hoje. Portanto, um estmulo de energia inferior ao limiar absoluto nunca  percebido. 
E acima do valor de limiar sempre seria percebido. Observa-se, no entanto, que o valor do limiar no pode ser fixado to 
precisamente. E impossvel estabelecer um limite exato entre estmulos supra e subliminares. Valores de estmulo prximos 
ao limiar absoluto ora so percebidos ora no, o que implica dizer que o limiar absoluto flutua em torno de um valor, o que 
pode tanto ser devido a flutuaes intrnsecas do limiar decorrentes de modificaes na sensibilidade, como a lapsos de 
ateno por parte do sujeito que se sub- 
36 
37 
mete ao experimento, fadiga e outras variaes de cunho psicolgico ou fisiolgico. Devido a esta flutuao do valor de 
limiar, foi necessrio para sua determinao desenvolver mtodos especficos que envolvessem um critrio estatstico. 
Os principais mtodos psicofisicos so: mtodo dos limites e mtodo dos estmulos constantes. 
2.1.1. Mtodo dos limites 
A forma mais intuitiva para a determinao de um limiar absoluto seria apresentar a um sujeito, sob condies bem 
controladas, um valor de estmulo imperceptvel (subliminar) e aument-lo, gradativamente, at que fosse percebido. O 
valor de transio seria o limiar absoluto. Pelo mtodo dos limites, o limiar  determinado exatamente assim. Mas, devido  
flutuao do limiar, no  suficiente se fazer apenas uma determinao, mas vrias, obtendo-se, finalmente, a mdia de 
todas as determinaes. Ainda como um controle adicional, tambm seriam apresentadas sries de estmulos iniciadas com 
valores bem acima do limiar e diminudos gradativamente, at que o sujeito deixasse de perceber o estmulo. Como o valor 
do estmulo diminui nestas apresentaes, elas so chamadas de sries descendentes. As primeiras so chamadas de sries 
ascendentes. Costuma-se alternar os dois tipos de sries, procurando apresentar pelo menos umas dez sries ao todo. Esta 
alternao de sries visa compensar os erros de habituao de srie que podem ocorrer na determinao de um limiar pelo 
mtodo dos limites. 
H dois tipos de erros de habituao: 1) erro de antecipao, quando o sujeito sente uma presso psicolgica muito grande 
para inverter seu julgamento, pelo simples fato de j ter emitido um mesmo julgamento repetidas vezes (por exemplo, o 
sujeito no percebe o estmulo numa srie ascendente  pois est subliminar , ento, sabendo que a intensidade do estmulo 
est aumentando gradativamente, acredita que j deve ter chegado o momento de perceber o estmulo e, por isto, inverte seu 
julgamento; o inverso ocorreria numa srie descendente). 2) Erros de persistncia: o sujeito mantm o julgamento anterior 
por muito tempo, e s quando o estmulo, numa srie ascendente, j est bem perceptvel, se d conta de que j o percebe; 
ou, numa srie descendente, que deixou de perceb-lo. O fato de o sujeito apresentar erros de antecipao ou persistncia 
tem relao com sua personalidade, o que pode ser controlado em parte pelas instrues fornecidas pelo experimentador. A 
alternncia de sries ascendentes e descendentes compensa os dois erros, uma vez que o sujeito apresente sempre um s 
tipo de erro. Na figura 2.1 esto apresentados os dados de um experimento de determinao de um limiar auditivo, com os 
respectivos clculos estatsticos e a maneira prtica de dispor a folha de registro para um experimento deste tipo. 
Sries de apresentao 
Figura 2.1. Folha de registro, com dados, para a determinao de um limiar auditivo pelo mtodo por limites. Como valores de 
estmulos a serem apresentados, foram escolhidos 10 valores, de modo que se tivesse certeza de que a menor intensidade (10 dB) 
nunca poderia ser ouvida, e a maior intensidade (100 dB), sempre. Desta forma, o limiar auditivo absoluto necessariamente cai 
entre estes valores. As sries de apresentao dos estmulos so alternadamente ascendentes e descendentes. As setas indicam a 
direo de apresentao dos estmulos. Dez sries correspondem a um nmero mnimo de sries, sendo que 10 a 12 valores 
discretos de estmulos devem ser utilizados. As sries de apresentao so interrompidas na primeira inverso de julgamento. 
Assim, numa srie ascendente, os primeiros julgamentos sero no ouo (), at atingir-se um valor no qual o sujeito dir 
ouo (+). Neste momento, a srie de apresentao pode ser interrompida, para se passar  prxima srie. As sries no devem 
ser iniciadas todas nos mesmos valores, para evitar que o sujeito simplesmente inverta seu julgamento aps um nmero fixo de 
apresentaes. O limite de srie corresponde ao ponto mdio numa inverso. O limiar  calculado pela mdia aritmtica dos 
limites de srie. Pode-se, a fim de analisar o padro de respostas do sujeito, obter separada- mente o limiar para as sries 
ascendentes e descendentes, ou para a primeira e segunda parte do experimento. A vantagem deste mtodo est em sua 
simplicidade. 
Talvez o maior inconveniente do mtodo dos limites, tal como foi apresentado aqui, seja o fato de que inmeros estmulos 
apresentados na verdade no entram no clculo do limiar, prolongando desnecessariamente um experimento. Por esse motivo, 
Cornsweet (1962) criou uma variante do mtodo dos limites, denominada mtodo da escada dupla. Neste m Valore 
do estimulo (intensidade sonora em dB) 
limites de srie (45+55+65+55+55+65+45+45+65+55) 
Limiar = = = 
n 10 
Limiar = = 55 dB 
lo 
38 
39 

lo 
- 





- 



20 
- 

- 



- 

- 

30 
- 

- 

- 

- 

- 

40 
- 

- 

- 

- 
- 
- 

50 
+ 
- 
- 
- 
- 

 
+ 
- 
- 
60 

+ 
- 
i- 
+ 
- 

+ 
- 
+ 
70 

+ 
+ 
+ 

+ 

+ 
+ 
+ 
80 

+ 

+ 

+ 

+ 

+ 
90 

+ 

+ 



+ 

+ 
100 

+ 

+ 






Limites da srie 
(dB) 
45 
55 
65 
55 
55 
65 
45 
45 
65 
55 

todo, tambm se utiliza uma srie ascendente e uma descendente, alternadamente. Mas, de cada srie,  
apresentado um s valor de estmulo, alterando-se a direo da srie aps cada mudana de julgamento do 
sujeito (mudana de perceber para no-perceber ou vice-versa). O limiar  calculado simplesmente pela 
mdia aritmtica de todos os valores apresentados aps a primeira inverso de cada srie. A figura 2.2 mostra 
um exemplo de aplicao deste mtodo simples e rpido para a determinao de limiares. 
 7070+80+60+70+80+60+90+70+8080+90708O+80+90+70+80+6070 
Limiar = 
1.500 
Limiar = 75 dB 20 
Figura 2.2. Folha de registro com dados, para a determinao de um limiar absoluto pelo mtodo da escada dupla. Este 
mtodo, derivado do mtodo dos estmulos constantes, tambm se vale de duas sries (a e b) em alternao simples (pode ser 
tambm alternao aleatria). De cada srie  apresentado um s valor. Se a resposta a uma apresentao numa srie a for 
no, a prxima apresentao para esta mesma srie a ser de um valor imediatamente maior (mais intenso). Por outro lado, 
se a resposta for sim, a prxima apresentao ser de um valor imediatamente menor. Esta  a nica regra que governa os 
valores apresentados. E preciso lembrar ainda que as duas sries, a e b, so totalmente independentes durante a apresentao. De 
forma anloga no mtodo dos limites, deve-se partir de 10-12 valores de estmulos, O nmero de sries dever ser acima de 30. 
O limiar  calculado pela mdia aritmtica de todos os valores apresentados, sem levar em conta se so de sries a ou b, ou se 
tiveram resposta sim ou no, aps o primeiro contato das duas sries. A vantagem deste mtodo est no nmero bem 
menor de apresentaes do estmulo para determinao do limiar. 
2.1.2. Mtodo dos estmulos constantes 
Consiste no segundo mtodo clssico, ainda desenvolvido por Fechner. Neste mtodo, apresentam-se, 
repetidas vezes, valores de estmulos muito prximos ao suposto limiar (que deve ser estimado previamente 
por algumas sries do mtodo dos limites). Em geral, escolhem-se por volta de 10 valores prximos ao limiar. 
Num experimento ideal, os valores de menor magnitude sero subliminares (nunca sero percebidos no 
experimento) e os de maior magnitude sero supraliminares (e sero percebidos em cada tentativa em que forem 
apresentados). Cada valor de estmulo deve ser apresentado o maior nmero de vezes possvel (nunca menos 
de 10), de maneira aleatria. Determina-se, ento, a freqncia de percepo para cada valor. O limiar absoluto 
corresponder ao valor de estmulo que foi percebido 50% das vezes. Este valor pode ser estimado 
estatistcamente ou determinado de forma grfica, como mostra a figura 2.3, na qual se apresenta a 
determinao de um limiar pelo mtodo dos estmulos constantes. 
O limiar determinado pelo mtodo dos estmulos constantes seria muito preciso se a resposta do sujeito 
dependesse unicamente do valor de estmulo apresentado. Mas isto, infelizmente, no ocorre. H outros 
fatores que influenciam a resposta do sujeito e nada tm a ver com a intensidade do estmulo. O que mostra 
que um limiar absoluto no  to absoluto assim:  sempre relativo s outras condies que atuam sobre a 
resposta do sujeito. Os outros fatores que influenciam a resposta do sujeito, e, portanto, indiretamente, o limiar 
medido, so estudados pelo que se convencionou de teoria de deteco de sinais. 
O primeiro fator que influencia as respostas do sujeito  a sua motivao em dizer sim (percebo o estmulo) ou 
no (no percebo o estmulo). Num experimento de deteco, o sujeito, sabendo que o estmulo s vezes sub e 
s vezes supraliminar  apresentado em cada tentativa, pode dizer sempre sim, simplesmente por se sentir 
motivado, apresentando um limiar muito baixo e, assim, gabando-se de uma superviso ou superaudio. E 
claro que o experimentador perceberia imediatamente a artimanha do sujeito e o repreenderia por sua falta de 
colaborao com o experimento. Uma maneira de pegar o sujeito mais facilmente nesse comportamento 
pouco simptico,  introduzir tentativas-armadilha, nas quais nenhum estmulo  apresentado. Se o sujeito 
disser um sim numa tentativaarmadilha, estar desmascarado, e o experimentador poder puni-lo para 
extinguir este comportamento, pois, sem a punio, o sujeito poder continuar neste padro de respostas. Por 
outro lado, se o experimentador resolver punir somente as respostas sim s tentativas-armadilha, o sujeito 
poder passar a responder sempre no, s para esquivar-se de todas as punies. Assim, novamente, o 
limiar medido no corresponder ao real. O que o experimentador precisa fazer  punir as respostas sim em 
tenta- 
Sries 
valores aps cruzamento = Limiar = 
Cruzamento das duas sries 
40 
41 
Intensidade luminosa (unidades arbitrrias) 
b 100 
90 
80 
70 
60 
E 
a 
a 
o 
o. 
a 
e 
Figura 2.3. a) Tabela de dados obtidos num experimento de determinao de limiar absoluto de intensidade luminosa. A 
intensidade luminosa est expressa em unidades arbitrrias, sendo que previamente foi determinado a grosso modo (fazendo-se 
algumas sries pelo mtodo dos limites) que o limiar absoluto realmente se situa, para o sujeito estudado, entre as intensidades 10 
e 90. Em seguida, os 9 valores de intensidade (10, 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80, 90) foram apresentados ao sujeito numa seqncia 
aleatria, at que cada um dos valores tivesse sido apresentado por 10 vezes. Portanto, ao todo foram apresentados 90 
estmulos. Para cada valor de intensidade luminosa foi ento determinada a proporo (porcentagem) de respostas sim, vejo a 
luz. b) Os resultados do protocolo a foram apresentados graficamente, a fim de que pudesse ser determinado o limiar absoluto. 
A curva contnua corresponde a uma ogiva interpolada a olho (naturalmente tambm  possvel fazer-se uma determinao 
matemtica utilizando-se o mtodo dos quadrados mnimos para determinao da interpolatriz). O limiar corresponde ao valor 
de intensidade que  percebido em 50% (metade) das apresentaes. Portanto, traando-se uma linha na altura de 50% de 
respostas sim at a interpolatriz e verificando-se a que valor de intensidade corresponde, obtm-se o limiar absoluto. Este 
valor, determinado graficamente, pode tambm ser determinado matematicamente, bastando lembrar que corresponde  
determinao da mediana. 
Sim 
a 
a 
a 
o 
o. 
a 
a 
No 
Figura 2.4. Resultados possveis num experimento no qual o sujeito se depara com duas situaes: presena de um sinal (s) ou ausncia deste sinal 
(rudo-n). Em cada tentativa o sujeito deve dizer se o sinal foi apresentado ou no. A ausncia de sinal  chamada de rudo, uma vez que sempre ocorre 
alguma estimulao ou rudo de fundo que pode provir da aparelhagem que produz o sinal, do ambiente externo ou do prprio sujeito com suas 
expectativas. H dois resultados desejveis - o acerto e a rejeio correta - e dois resultados indesejveis - a omisso e o alarme falso. Observe e avalie se cada 
resultado tem seu valor intrnseco, pois em determinadas situaes os acertos podem ser muito importantes, e as rejeies corretas-menos importantes, ou 
vice-versa. Ou, ento, os resultados so indesejveis se possuem valores diferentes. Alm dos valores intrnsecos que os diferentes resultados possuem, 
pode- se criar valores artificialmente, atravs de uma matriz de pagamento que pune e refora diferencialmente os resultados. As respostas do sujeito vo 
depender da matriz de pagamento. 
a 
a 
a 
o 
c 
a 
a 
a 
a 
a. 
a 
a 
z 
tivas-armadilha (chamadas de alarmes falsos) e reforar as respostas sim quando efetivamente esteve 
presente um estmulo (chamadas de acerto). E preciso tambm estabelecer uma matriz de pagamento, pois, 
havendo tentativas com e sem estmulo (chamadas de sinal e rudo) e respostas sim e no, temos, ao todo, 
quatro situaes possveis, como na figura 2.4. Precisamos recompensar o acerto e a rejeio correta, e punir o 
erro e o alarme falso. Num experimento de laboratrio, a matriz de pagamento  representada por fichas, 
dinheiro, pontos ou algo semelhante. Na vida real,  dada por outras motivaes. Por exemplo, o custo de um 
alarme falso para um operador de radar na fronteira de um pas  muito grande, pois, se o ponto luminoso 
observado na tela do radar no for um avio inimigo, milhes sero gastos no disparo de foguetes, pode 
ocorrer um incidente diplomtico ou a destruio de um avio nacional. Por outro lado, o custo da omisso de 
um mdico em detectar cncer numa radiografia  muito alto, conquanto o custo de um alarme falso seja 
relativamente baixo (levaria o paciente a fazer alguns exames a mais). Portanto, em nossa vida diria, as 
inmeras deteces so controladas por matrizes de pagamento inconscientes, na maioria das vezes. E 
bastante bvio como a ma 40 
30 
20 
10 
Limiar 
10 20 30 40 50 60 70 80 90 
Estimulao 
Sinal lsl 
Rudo ln) 
42 
43 


1
0 
2
0 
3
0 
4
0 
5
0 
6
0 
7
0 
80 
90 
1 
n 
n 
n 
s 
5 
n 
s 
s 
s 
2 
n 
n 
s 
n 
s 
s 
s 
s 
s 
3 
n 
n 
n 
s 
n 
s 
s 
n 
s 
4 
n 
s 
n 
s 
n 
ri 
n 
s 
s 
5 
n 
n 
n 
ri 
s 
n 
s 
s 
s 
6 
ri 
n 
s 
n 
n 
n 
s 
s 
s 
7 
ri 
n 
n 
n 
s 
s 
s 
s 
s 
8 
n 
ri 
n 
n 
s 
s 
ri 
s 
s 
9 
n 
n 
n 
s 
s 
s 
s 
n 
s 
10 
n 
n 
ri 
n 
n 
s 
ri 
s 
5 
% 
Sim 
O 
1
0 
2
0 
4
0 
6
0 
6
0 
8
0 
10
0 
10
0 

Acerto 
Alarme 
falso 
Omiss
o 
Rejeio 
correta 

triz de pagamento influencia o limiar de deteco: o sujeito procurar otimizar seu ganho, adotando um critrio 
de respostas mais ou menos rgido. H formulaes matemticas que relacionam os diversos valores da matriz 
de pagamento para estimar o critrio do sujeito. 
No  somente a matriz de pagamento que influencia as respostas do sujeito num experimento de deteco, 
mas tambm o nmero de vezes que o estmulo  apresentado em relao s apresentaes-armadilha, alm,  
claro, do limiar absoluto propriamente dito, que o sujeito tem para o estmulo em causa, ou seja, a intensidade 
real do estmulo. Em teoria de deteco de sinais, as tentativas-armadilha so denominadas rudo, isto , h 
apenas estimulao aleatria, e no aquela que ns queremos detectar. Imagine que se queira detectar as luzes 
de um avio num cu estrelado. As estrelas sero o rudo e a luz do avio, o estmulo. Se num experimento, na 
maioria das vezes, for apresentado apenas o rudo, sem estmulo, o sujeito dir no com freqncia cada vez 
maior, diminuindo desta forma a possibilidade de alarmes falsos. Ao contrrio, se o estmulo quase sempre for 
apresentado, o sujeito tender a dizer sempre sim para evitar as omisses. Esta tendncia  bvia: se, sempre 
que ouvimos um som, tambm vemos uma luz, depois de algum tempo nem vamos olhar mais, pois iremos 
supor que a luz est presente, mesmo que no esteja mais. 
Portanto, a resposta do sujeito ser determinada pela matriz de pagamento, pela probabilidade de, em uma 
tentativa, haver apenas o rudo ou o sinal e, obviamente, pela intensidade do estmulo. E possvel relacionar 
estes trs fatores matematicamente entre si, e a partir disto conhecer muito sobre o limiar absoluto e o prprio 
critrio de respostas do sujeito. Na figura 2.5, apresenta-se um exemplo que elucida um pouco mais a teoria de 
deteco de sinais aplicada  Psicologia da Percepo. 
2.2. Discriminao 
A questo colocada pela discriminao  saber quanto dois estmulos devem diferir para que sejam percebidos 
como diferentes. E preciso definir em que dimenso se d a diferena, pois duas luzes, apesar de terem a mesma 
cor, podem ter brilhos diferentes ou, ao contrrio, podem ter cores diferentes e brilhos iguais. E preciso fixar 
todas as dimenses e variar apenas uma, como  feito nos experimentos de laboratrio que estudam problemas 
de discriminao. Nestes experimentos de discriminao, o propsito geral  determinar o limiar diferencial, isto 
, a mnima diferena, perceptvel pelo sujeito entre dois estmulos. Para tanto, utilizam- se um estmulo padro 
e vrios estmulos de comparao, que so julgados como sendo mais intensos (maiores, mais brilhantes, mais 
pesados etc.), iguais, ou menos intensos. Alguns estudos mostram que  conveniente eliminar o julgamento de 
igualdade, pois este  muito susceptvel s instrues dadas aos sujeitos. Pelas instrues, o sujeito pode ser 
compelido a 
Figura 2.5. Na teoria de deteco, considera-se que a situao normal, isto , ausncia do estimulo, corresponde a uma situao 
de rudo n (noise em ingls). A presena de um estmulo corresponde  situao de sinal (na verdade a soma de rudo + sinal). 
Cada uma das situaes provoca com certa probabilidade sensaes ao longo do contnuo sensorial, o que  representado em a. A 
tarefa do sujeito  diferenciar em cada tentativa se se tratou de rudo (n) ou sinal (s). Esta diferenciao no  imediata, pois as 
duas curvas tm uma zona de sobreposio, isto , onde a mesma sensao poderia ser interpretada tanto como n ou s. Nas 
figuras b e c estas zonas esto marcadas. Em b esta zona  grande, pois a curva de n sobrepe em grande parte a curva de s, ou 
seja, o sinal pode ser diferenciado do rudo apenas com grande dificuldade. A distncia entre as duas curvas  chamada de d. Na 
figura e, sinal e rudo so muito diferentes, isto , provocam sensaes bem distintas. O valor de d conseqentemente  grande. 
Do valor de d depender a facilidade com a qual o sujeito consegue distinguir o sinal do rudo. Mas como em todos os casos 
existe uma zona de sobreposio onde os estmulos podem ser confundidos, o sujeito procura estabelecer um critrio (B) que fixa 
um valor de sensao a partir do qual emitir o julgamento sim (isto , sim, percebi o sinal) e abaixo deste valor emitir o 
julgamento no (isto , no percebi o sinal trata-se portanto de um rudo). As figuras d e e ilustram isto, mostrando uma 
situao de critrio relaxado ( na qual o sujeito julga muitos valores de sensao como provenientes do sinal, e portanto comete 
muitos alarmes falsos. Ao contrrio, numa situao de critrio estrito (e), o sujeito cometer muitas omisses. Onde o sujeito 
vai posicionar seu critrio depende de uma srie de fatores, como a proporo de situaes de sinal/rudo, a valorizao de cada 
tipo de erro (omisso em alarme falso), as instrues que o sujeito recebe e sua prpria atitude com o experimento. 
b 
Distribuio do rudo 
a 
Distribuio de 
1 + rudo 
b Contnuo sensorial 
e 
d 
No... -Sim 
 critrio relaxado 
e 
= critrio estrito 
44 
45 
Sries de apresentao 
dizer igual sempre que no puder definir exatamente se um estmulo  mais intenso que o outro ou no (haver muitas 
respostas igual sempre que o sujeito estiver em dvida). Ou, ento, poder, dizer igual apenas quando tiver certeza de 
que os dois estmulos so realmente iguais (haver poucas respostas igual). Prefere-se, portanto, fazer um experimento 
de escolha forada, obrigando o sujeito a optar por mais ou menos em cada tentativa. Os resultados de experimentos 
com escolha forada se mostram mais precisos e facilitam o clculo do limiar diferencial. 
Para a determinao do limiar diferencial podem ser utilizados os mesmos mtodos empregados na determinao de um 
limiar absoluto. Na figura 2.6, h um exemplo de determinao de limiar diferencial pelo mtodo dos limites, e na figura 2.7, 
um exemplo de limiar diferencial calculado pelo mtodo dos estmulos constantes, deixando claro que o limiar diferencial  
uma medida de variabilidade. 
O ponto onde a probabilidade de julgamento maior ou menor  igual, isto , 50%,  denominado ponto de igualdade 
subjetiva (PIS). Corresponde ao valor que, subjetivamente, parece ao sujeito ser igual ao estmulo padro. A diferena entre 
o ponto de igualdade subjetiva e o estmulo padro  denominada erro constante. Admitia-se que o erro constante surge 
porque o estmulo padro e o estmulo de comparao no eram julgados simultaneamente, mas sim, em geral, um aps o 
outro. Quando um estmulo de comparao  julgado, a imagem mental do estmulo padro j se esvaneceu um pouco. 
Por isto, o erro constante era chamado de erro de tempo. No entanto, a explicao do esvanecimento da imagem do 
estmulo padro se mostrou falsa: o erro de tempo, ou erro constante depende, simplesmente, de fatores de configurao do 
estmulo padro e de comparao que no so controlveis pelo experimentador. 
Os pontos onde a probabilidade de resposta mais intenso (ou menos intenso)  25% e 75% correspondem a valores 
que so discriminados com 50% de probabilidade, ou seja, que so discriminados do estmulo padro em 50% das 
apresentaes, como pode ser visto na figura 2.6. A distncia entre estes dois pontos corresponde ao intervalo de 
incerteza, cuja metade  o limiar diferencial, tambm denominado diferena apenas perceptvel (DAP). Portanto, o 
sujeito  capaz de discriminar dois estmulos que distam entre si pelo menos uma DAP. A figura 2.8 apresenta duas curvas 
de discriminao, uma de discriminao precria (limiar elevado) e outra de boa discriminao, mostrando que a inclinao 
da curva de discriminao  um indicador do limiar de discriminao. 
Vimos que o limiar diferencial  determinado em funo de um estmulo padro, que  mantido constante no decorrer de um 
experimento. Parece bvio que o valor do limiar diferencial varia em funo do estmulo padro. Se, por exemplo, 
conseguimos discriminar um peso de 1.000 g de outro de 1.100 g (limiar diferencial DAP = A 1 = 100 g),  bvio que no 
conseguiremos discriminar 10.000 g de 10.100 g (A 1 = 100 g). Tal- 
lx  x)2 
LD desvio padro dos limites de srie = a = 4I 1 4,83 
Figura 2.6. Determinao do limiar diferencial de intensidade luminosa pelo mtodo dos estmulos constantes. A intensidade 
luminosa est indicada em unidades arbitrrias, O estmulo padro (Sp) tem intensidade 25. Em cada apresentao os estmulos 
de comparao (Sc) so comparados ao Sp e julgados como menos intensos (m) ou mais intensos (M). No demais, o mtodo  
igual ao apresentado na figura 2.1 para a determinao de um limiar absoluto. A mdia aritmtica dos limites de srie 
corresponde agora ao ponto de igualdade subjetiva (PIS), que  o valor de estmulo que em mdia parece para o sujeito ter a 
mesma intensidade que o Sp. A diferena entre PIS e Sp d o erro constante (EC). Neste exemplo em particular o EC  
extremamente grande, mostrando que possivelmente houve um erro entre o Sp e os Sc, provavelmente decorrente da calibrao 
do aparelho, ou, ento, que o mtodo de comparao deixava os Se parecerem muito mais escuros. O limiar diferencial (LD) 
corresponde a alguma medida de variabilidade dos limites de srie. Para tanto h vrias possibilidades, mas as mais comuns so a 
semi-amplitude de variabilidade e o desvjo padro dos limites de srie. Ambos os valores esto calculados acima. A semi-
amplitude de variabilidade corresponde  metade da diferena entre o maior e o menor valor dos limites de srie, O desvio 
padro  calculado da maneira habitual. 
vez precisemos de 11.000 g (A 1 = 1.000 g) para notar uma diferena de peso. Ernst Heinrich Weber (1834) mostrou que havia 
uma relao constante entre o limiar diferencial (A 1) e o valor de estmulo padro (ou intensidade do estmulo 1), ou seja, A 1 = 
KI (K constante de proporcionalidade). Fechner denominou a relao K = A 1/1 frao ou constante de Weber. Ela 
corresponderia a uma funo constante, ou seja, para discriminar dois estmulos entre si,  preciso diferenci-los por uma 
proporo constante. 
Intensidade luminosa (Sc) 
t 
Intensidade padro (Sp)-25 
m 
m 
m 
m 
m 
m 
m 
m 
m 
m 
Limites de srie 32,5 37,5 27,5 32,5 37,5 42,5 32,5 37,5 32,5 42,5 
Ponto de Igualdade Subjetiva = limites de sries 
n 10 
Erro Constante = EC = PIS  Sp = 35,5  25,0 = 10,5 42,5  32,5 
Limiar Diferencial = LD semiamplitude de variabilidade = = 5,0 
2 
46 
47 





5 
m
 




1
0 
m
 
m
 



m
 
1
5 
m
 
m
 
m
 

m
 
m
 

3
0 
m 

M 
m 
m 

m 

m 

3
5 
M 
m 

M 
m 

M 
m 
M 

4
0 

M 

M 
M 
m 

M 

m 
4
5 

M 

M 

M 

M 

M 
5
0 

M 



M 

M 

M 

Intensidade luminosa Sp 
1 
a, 
o 
a, 
ai 
1 
a, 
a, 
ai 
z 
b% 
100 
80 
60 
40 
20 
5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 
Figura 2.8. Resultados de um experimento de discriminao (limiar diferencial) para unidades arbitrrias de um estmulo. A curva A corresponde aos 
resultados de um sujeito de pequena capacidade de discriminao uma vez que o LD, que seria a metade do intervalo de abscissa correspondente a 25 e 
75 de respostas maior,  de mais de 2 unidades de abscissa. J a curva B corresponde aos resultados de um sujeito de tima capacidade discriminativa. 
O LD corresponde a 0,5 de unidade da abscissa. Os exemplos mostram claramente que a inclinao das curvas de discriminao indica a sensibilidade do 
sujeito em diferenciar os estmulos. 
A figura 2.9 mostra o grfico da frao de Weber, tal como assumida por ele e por Fechner, bem como os dados 
reais de um experimento. Fica evidente que a lei de Weber  vlida para uma ampla gama mdia dos estmulos. 
Mas h desvios grandes da relao nos extremos da faixa de variao do estmulo padro. Este resultado  
esperado, pois, quando o padro se aproxima do limiar absoluto, o aparelho sensorial em causa est operando 
no limite de sua sensibilidade. Por isto, para diferenciar dois est Figur 
2.7. Exemplo dc um e\perirnento no qual foi determinado o limiar diferencial de intensidade luminosa pelo mtodo dos estmulos constantes, a) A 
intensidade luminosa  indicada em unidades arbitrrias de 5 a 50. O estmulo padro (Sp), em relao ao qual foi determinado o limiar diferencial, tinha uma 
intensidade igual a 25. Cada um dos 10 valores de intensidade (5, 10, 15, 20, 25, 30, 35, 40, 45 e 50) foi apresentado por 10 vezes, sempre pareado com o 
Sp (25) em ordem completamente casual. O sujeito foi instrudo a julgar o estmulo de comparao (Sc) em relao ao Sp, sendo que lhe eram permitidos trs 
julgamentos: 1) Se tem menor intensidade que Sp (); 2) Se tem intensidade igual a Sp(=), e 3) Se tem intensidade maior que Sp (+). Para cada valor de Se 
calculou-se a porcentagem de cada um dos trs tipos de resposta, que aparecem nas trs ltimas linhas da figura a. b) Representao grfica dos resultados. 
A determinao do limiar diferencial (LD), ponto de igual- 
dade subjetiva (PIS) e erro constante (EC) pode ser feita matematicamente ou simplesmente de forma grfica. O PIS pode ser considerado o valor de abscissa 
no qual as curvas () e (+) se cruzam, ou ento o ponto mximo da curva (=). No caso, ambos os valores so coincidentes e iguais a 25, o que resulta num EC = 
O (EC PIS - Sp). O limiar diferencial pode ser tomado como o valor no qual o julgamento (=) seja igualmente frequente aos julgamentos (+) e (). No exemplo 
teremos LD = 25 - 14 = 11 ou LD = 36-25 11. No caso os valores so coincidentes, mas poderiam no ser se os resultados no fossem simtricos. Neste caso 
pode-se tomar a mdia dos dois LDs calculados. O experimento tambm pode ser feito permitindo-se ao sujeito apenas julgamentos (+) e (). Os clculos e 
resultados so semelhantes. Neste caso, o LD  determinado em funo dos valores da abscissa que correspondem respectivamente a 25% e 75% de 
respostas (+) ou (). Estas percentagens so arbitrrias, mas comumente empregadas neste tipo de clculo. 
a 
5 10 15 20 30 
35 40 45 50 
2 
3 
4 
5 
6 
7 
8 
9 
100 
90 
80 
.2 70 
E 
60 
a 
a, 
50 
o 
 40 
ri 
A 
B 
Intensidade do estmulo 
Intensidade 
48 
49 

1 
 
 
= 
= 
= 
= 
+ 
+ 
+ 

 
 
= 
= 
= 
= 
= 
+ 
+ 
+ 
 
 
= 
 
= 
+ 
= 
+ 
+ 
+ 
 
= 
 
= 
= 
= 
= 
= 
+ 
+ 
 
 
= 
= 
= 
= 
+ 
= 
+ 
+ 
 
 
 
= 
= 
= 
= 
+ 
+ 
+ 
 
 
 
= 
= 
+ 
= 
+ 
= 
+ 
 
 
= 
= 
+ 
= 
= 
+ 
+ 
+ 
 
 
= 
 
= 
= 
+ 
+ 
+ 
+ 
10 
 
 
= 
= 
 
= 
+ 
= 
= 
+ 
 
10
0 
9
0 
4
0 
2
0 
1
0 
O 
O 
O 
O 
O 
%= 
O 
1
0 
6
0 
8
0 
8
0 
8
0 
7
0 
3
0 
2
0 
O 
%+ 
O 
O 
O 
O 
1
0 
2
0 
3
0 
7
0 
8
0 
10
0 

Figura 29. A curva A (no caso uma reta) representa a frao de Weber j ideal, ou seja, 
trata-se de uma curva de um valor constante para todos os valores de intensidade 1. A curva 
B representa a curva da frao de Weber usualmente obtida para a maioria dos contnuos 
fsicos (estmulos): para valores de intensidade (1) baixos, prximos ao limiar absoluto (LA), 
a frao de Weber torna-se muito grande, sendo que so necessrias diferenas grandes entre 
estmulos para que possam ser discriminados. Na regio central do contnuo de estimulao 
a frao de Weber  aproximadamente constante. Prximo ao limiar terminal (LT) a frao 
de Weber assume novamente valores maiores. 
Figura 2.10. O limiar diferencial para um contnuo sensorial qualquer pode ser determinado pela utilizao de uma tcnica da teoria de deteco de 
sinais, apresentando-se o estmulo padro (que corresponde ao rudo n) e o estmulo de comparao (que se diferencia muito pouco do primeiro e 
corresponde ao sinal s). Em seguida, o sujeito em cada tentativa deve dizer qual  o estmulo menor ou maior, assumindo, por exemplo, 5 nveis de certeza: 
1) se ele estiver absolutamente certo que  menor; 2) se tem alguma certeza que  menor; 3) se no sabe; 4) se tem alguma certeza que  maior e 5) se tem 
absoluta certeza que  maior. Cada um destes tipos e respostas corresponde a um critrio B (veja fig. 2.5). Em seguida, com estes dados traa-se graficamente 
a relao entre a probabilidade dos alarmes falsos e acertos. Supondo-se que o nmero de tentativas de sinal e rudo seja idntico, e que o sujeito no 
consiga discriminar os estmulos, a probabilidade de alarme falso  igual  probabilidade de acertos p (alarme falso) p (acerto), e disto resultar a curva d = 
O da figura. Quanto mais o sujeito conseguir discriminar os estmulos, tanto maior ser o valor de d obtido. O valor de d corresponde ao limiar 
diferencial. 
tempo de reao de escolha, quando h, por exemplo, vrios botes, e o sujeito deve pressionar aquele que 
corresponde a determinado estmulo que, ao ocorrer, foi discriminado de todos os outros. Seja qual for o 
paradigma experimental utilizado, mostra-se que o tempo de reao diminui quanto mais diferenciveis forem os 
estmulos entre si. O leitor mesmo pode comprovar isto, medindo o tempo que leva para separar um baralho, 
uma vez em naipes pretos e vermelhos e, na outra, em copas mais paus e em ouros mais espadas. Na figura 
2.11, so apresentados dados de discriminao de comprimento de retas a partir do tempo de reao. 
mulos,  preciso uma diferena muito maior que a prevista pela frao de Weber para um sistema sensorial em particular. A 
situao  idntica quando o estmulo padro atinge valores prximos ao limiar terminal (intensidade mxima  qual o 
aparelho sensorial responde normalmente  com valores maiores de estmulo pode haver leso dos rgos sensoriais, como 
na viso, ou dor, como na audio). 
A discriminao tambm pode ser encarada do ponto de vista da teoria de deteco de sinais, assim como o limiar absoluto 
(deteco), considerando que h tentativas nas quais  apresentado apenas o estmulo padro (rudo) ou o estmulo de 
comparao (sinal). A figura 2.10 mostra um exempio com a devida explicao e as decorrncas de um experimento deste 
tipo. 
Um outro modo de estudar a discriminao de estmulos  pelo tempo de reao. Esta  uma das formas mais antigas de 
medio em Psicologia da Percepo. Foi amplamente empregada por Herinann Helmholtz (1850) e por Wundt (1879). 
Pode-se diferenciar dois tipos de tempo de reao: tempo de reao simples, quando h, por exemplo, um boto que o 
sujeito deve pressionar sempre que discriminar um estmulo diferente, e 
1,0 
0,75 
E 
0 
o 
t 
e 
o 
e 
0 
0 
e 
e 
o 
o. 
Frao de Weber 
0,50 
B 
0,25 
A 
o 0,25 0,5 0,75 
Probabilidade de alarme falso p(sim/n) 
1,0 
LA LT 
1 (intensidade do estmulo padro) 
50 
51 
-.--_ 
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 
Diferena no comprimento (milmetros) 
Figura 2.11. Neste experimento os sujeitos tinham que separar cartes em pilhas, de acordo com o comprimento de duas 
linhas traadas nos cartes. Uma das linhas sempre media 45 mm, e a outra, sempre mais longa, media de 1 a 11 mm a mais. 
Mediu-se o tempo total que o sujeito levava para fazer a separao de acordo com as diferenas de comprimento. O tempo 
total corresponde  soma dos tempos de reao frente a cada um dos cartes. Nitidamente se observa que quanto maior a 
diferena de comprimento, mais rapidamente o sujeito consegue formar as pilhas, pois o tempo de reao frente a cada 
carto  menor. 
2.3. Reconhecimento 
O observador constantemente se depara com a tarefa de reconhecer, isto , identificar estmulos, saber do que se trata alm 
de simplesmente detectar sua presena. O interessante  que, muitas vezes, antes de reconhecer um estmulo, detecta-se 
sua presena. Isto mostra que se trata, realmente, de dois processos distintos. Muitas vezes  preciso, por exemplo, olhar 
por mais algum tempo antes de reconhecer o estmulo detectado. Existe uma hierarquia da percepo. H, inicialmente, a 
deteco do estmulo e depois seu reconhecimento, sendo que mais energia  necessria para que se atinja o estgio do 
reconhecimento. 
Intuitivamente, pode-se concluir que o nmero de alternativas, isto , o nmero de diferentes estmulos possveis determina 
a dificuldade de reconhecimento. Se o sujeito sabe que apenas um tipo de estmulo pode ocorrer, e ele observa (detecta) 
algo, saber imediatamente que se trata daquele nico estmulo que pode ocorrer. Mas, se existem duas alternativas, h 50% 
de probabilidade de acertar ao acaso qual estmulo foi detectado. Portanto, o reconhecimento  fcil. Se existem 100 
alternativas, a pos- 
sibilidade de acertar ao acaso se reduz para 1/100. Se o estmulo for corretamente reconhecido, pode-se ter quase certeza de 
que o sujeito no adivinhou, mas que extraiu do estmulo aquela poro de energia (ou informao) a mais que  necessria 
para passar da simples deteco ao reconhecimento. Portanto, se, num experimento, se quiser determinar o limiar para o 
reconhecimento, por exemplo, de uma letra,  preciso levar em considerao que existem 26 letras diferentes; se forem 
algarismos, so apenas 10. Por isto, o limiar de reconhecimento de algarismos ser mais baixo, isto , sero reconhecidos 
mais prontamente desde que mantidos constantes todos os outros parmetros. 
Para lidar com este aspecto do reconhecimento, os psiclogos da percepo tomaram emprestada a teoria da informao 
desenvolvida por Shannon e Weaver (1940) e por Wiener (1948), que na realidade  um sistema da mensurao. Este 
sistema pode ser aplicado  percepo na medida em que perceber  extrair informao dos estmulos, isto , quanto mais 
informao o observador obtiver do estmulo (observando por mais tempo ou com maior ateno; o estmulo sendo mais 
intenso etc.), maior nmero de detalhes ser apreendido por ele. Portanto, cada estmulo possui dentro de si uma certa 
quantidade de informao que o diferencia de outros estmulos, e que no chega, necessariamente, ao observador em sua 
totalidade. E preciso, pois, quantificar a informao contida num estmulo e tambm a quantidade de informao 
transmitida ao sujeito (ou recebida). A teoria da informao utiliza, para esta quantificao, exatamente o nmero de 
alternativas, como j foi apontado acima. No conjunto de letras A B, cada letra contm apenas pouca informao, pois so 
apenas duas alternativas. J dentro do alfabeto completo, cada letra contar muito mais informao. No primeiro caso, a 
letra A precisa ser diferenciada apenas da letra B. No caso de todo o alfabeto, no entanto, a letra A precisa ser diferenciada 
de B, de C, de D e de todas as outras letras. A teoria da informao utiliza um sistema binrio para medir a quantidade de 
informao. Ou seja, o nmero de questes que podem ser respondidas apenas por sim ou no, necessrias para especificar 
completamente determinado estmulo no conj unto das alternativas. Se existem apenas duas alternativas, A e B, uma s 
questo basta: E A? Se a resposta for sim, trata- se do estmulo A, e se a resposta for no, obviamente ser o estmulo 
B. Se existirem quatro alternativas, A, B, C ou D, duas perguntas sero necessrias para identificar uma das alternativas: E 
A ou B em, oposio a C ou D? Se a resposta for sim, a prxima questo ser: E A? Se a resposta tiver sido no, a 
prxima questo ser: E C? Cada questo sempre dever ser formulada de modo a eliminar exatamente a metade das 
alternativas. Cada questo define um bit de informao (bit = binary digit). Portanto, com duas alternativas temos um 
bit de informao. Com quatro alternativas h dois bits de informao. A quantidade de informao em bits corresponde ao 
logaritmo de base 2 (log2n) do nmero de al a 
e 
52 
g 50 a 
o 48 
ia 
o. 
a 46 
a 
e. 
a 
a 
42 
e 
e. 40 E 
52 
53 
ternativas: 1og22 1, log4 2 etc. A quantidade de informao pode ser tambm um nmero fracionrio, por exemplo, em 11 
alternativas, cada estmulo possui 3,46 bits de informao. 
Uma vez conhecida a maneira de medir a informao contida num estmulo, pergunta-se qual a informao recebida quando 
o observador percebe o estmulo. Imaginemos que, num experimento a respeito de percepo auditiva, o sujeito deva 
identificar letras ditadas pelo experimentador, mas numa intensidade quase inaudvel. O sujeito sabe que o experimentador 
pode dizer 8 letras diferentes: A, B, C, D, E, F, G, H. Cada estmulo contm, portanto, 3 bits de informao (log2 8 3). O 
sujeito, numa tentativa, ouve um som ...eeeeeeee. . . . Conclui que a letra dita pelo experimentador foi 8 ou C ou D ou E, 
reduzindo as alternativas de 8 para 4; ou seja, foi recebido apenas um bit de informao e restam ainda 2 bits a serem 
transmitidos. Existe transmisso perfeita quando, em cada tentativa, o sujeito reconhece o estmulo, Nenhuma informao  
transmitida quando as respostas do sujeito so totalmente aleatrias. Havendo um nmero de acertos (reconhecimentos) 
maior que o esperado pelo acaso, existe transmisso de alguma informao, que pode ser estimada a partir da proporo de 
acertos. 
No entanto, o observador nem sempre pode receber toda a informao transmitida ou contida num estmulo. Verificou-se, 
por exemplo, que observadores humanos conseguem receber apenas 2,3 a 3,0 bits de informao, ou seja, podem lidar, 
simultaneamente, com aproximadamente 7 estmulos diferentes. Esta  a capacidade de canal do observador. Foi 
determinada em experimentos nos quais o sujeito tinha de diferenciar um certo nmero de estmulos entre si. Estes 
variavam num determinado contnuo, isto , numa nica dimenso verificando-se que a capacidade de canal era 
aproximadamente a mesma para brilho, cor, som, forma etc. No entanto, todos sabem que qualquer observador pode 
diferenciar em sua vida normal mais do que 7 estmulos entre si. Isto ocorre porque os objetos variam em mais de uma 
dimenso, simultaneamente (brilho e cor e tamanho e forma etc.). As pesquisas mostram que, nestes casos, o limite de 
canal para cada dimenso combina-se com as outras dimenses. A combinao resulta num valor um pouco inferior  soma 
simples da capacidade de canal, para cada dimenso em separado. Um experimento mostrou que para estmulos variando 
em forma, cor e posio espacial h uma transmisso de 17 bits, o que corresponde a 131.072 alternativas. 
A medida de quantidade  apenas o aspecto mais simples da teoria de informao. Outros conceitos desta teoria tambm se 
aplicam, de forma bastante prtica, ao problema da percepo. O importante  compreender que o reconhecimento de um 
estmulo depende do nmero de alternativas existentes, da capacidade de canal, do nmero de dimenses envolvidas e, por 
fim, de caractersticas prprias do sujeito, que constituem seu limiar de reconhecimento especfico. 
2.4. Formao de escalas 
Por fim, o observador no est apenas interessado em detectar o estmulo, discrimin-lo de outros e reconhec-lo. Ele est 
interessado em fazer tambm um julgamento de magnitude ou intensidade do estmulo. Neste caso, ele enfrenta o problema 
de formao de escalas de sensao, pois o julgamento no ser do estmulo propriamente dito, mas da sensao provocada 
pelo estmulo no sujeito. H duas maneiras de abordar a formao de escalas sensoriais. Uma delas baseia-se na afirmao 
de Gustavo Fechner (1860) de que no  possvel medir uma sensao diretamente, mas apenas de forma indireta, atravs 
de sucessivos limiares diferenciais ou diferenas apenas perceptveis (DAP). A idia de Fechner era determinar o limiar 
diferencial para cada valor do estmulo, desde o limiar absoluto at o limiar terminal, cobrindo toda a gama de variao do 
estmulo  qual o aparelho sensorial em causa  sensvel. Uma escala de sensao assim construda incorpora trs 
pressupostos bsicos: que a DAP  a unidade de sensao; que diferentes DAPs correspondem a uma mesma sensao e 
que as DAPs podem ser somadas para formarem uma escala. E facilmente demonstrvel que uma escala assim construda (o 
que  bastante trabalhoso) corresponde a uma funo logartmica do tipo R = K log S, onde R  a sensao, S o valor do 
estmulo e K uma constante de proporcionalidade. O interessante  que esta funo pode ser deduzida matematicamente, 
partindo da lei de Weber ( 1/1 K) e dos trs pressupostos citados, e constitui uma das poucas dedues matemticas 
encontradas em Psicologia (veja fig. 2.9). 
Em muitos experimentos de determinao de escalas sensoriais, realmente foi encontrada uma funo logartmica esperada 
pela lei de WeberFechner (R = K log S). Mas algumas crticas podem ser feitas a esta formulao. Em primeiro lugar, a 
funo logartmica deste tipo prev sensaes negativas (seriam sensaes subliminares?; veja fig. 2.9). Alm disto, as 
DAPs no so verdadeiras unidades de sensao, pois as sensaes parecem ser contnuas. Por fim, as escalas construdas 
sob os pressupostos desta teoria so influenciveis pelas condies do experimento, em especial pelos valores particulares 
de estmulo utilizados dentro da gama de variao. Uma escala de sensao deveria ser independente da situao, por ser 
intrnseca ao observador. 
Em contraposio, S. S. Stevens (1951) mostrou que  possvel ao observador construir escalas diretamente a partir de 
julgamentos de magnitude. As escalas assim construdas no so susceptveis s criticas feitas s de Fechner. Stevens 
mostra que, fazendo-se um julgamento direto de magnitude (pede-se ao sujeito que d medidas em nmeros aos diferentes 
estmulos, com ou sem unidades, baseando-se unicamente no princpio de que estmulos que parecem iguais devem receber 
nmeros iguais, o que parece ser o dobro do outro, deve receber um nmero (magnitude) que 
54 
55 
seja o dobro, e assim por diante  veja fig. 2.12), obtm-se funes do tipo R KS, onde R  a sensao, S o estmulo julgado, 
K uma constante de proporcionalidade e n um expoente constante para uma determinada dimenso sensorial, mas que 
assume valores diversos para cada dimenso sensorial. A figura 2.13 mostra que a forma da funo R = KS pode variar 
bastante, conforme n < 1, n = 1 ou n > 1. A tabela 2.1 fornece uma relao de sensaes e valores de n correspondentes. 
A diferena entre a escala de Fechner e a escala de Stevens pode ser definida no seguinte sentido: a primeira diz que a 
razes (propores) iguais de estmulos correspondem djferenas iguais de sensaes; a segunda afirma que a razes 
iguais de estmulos correspondem iguais razes de sensao. 
Na prtica, podem-se obter escalas de razo (como tambm so chamadas as escalas de Stevens) pela estimao direta de 
magnitude, como 
foi explicado na figura 2.12, ou pelo mtodo do fracionamento ou da mul 20 
0 
a 
0 
4- 
16 
e 
E 
a 
a 
E 
a 
uJ 
10 
/ 
10 
, 
12 
e, 
/ 
14 
/ 
/ 
/ 
/ 
/ 
/ 
/ 
/ 
/ 
/ 
/ 
S = 0,75 1 1,11 
16 
Magnitude fsica (II cm 
b 
18 20 
18 
14 
12 
0 
a 
c 
a 
E 
a 
a 
e 
E 
a 
ul 
ti) 
o 
a 
a 
E 
a 
a 
E 
a 
a 
.3 
b 
a 
b 
n=1 
c 
n< 1 
Figura 2.12. Em a apresenta-se uma tabela dos resultados de um experimento, no qual o sujeito deveria julgar o comprimento de 6 linhas (1). A linha 
mais curta tinha 10 cm e a mais longa 20 cm. A diferena de comprimento entre elas era de 2 cm. O sujeito julgou os comprimentos diretamente em 
centmetros, sendo que cada linha foi julgada dez vezes. Os resultados que aparecem na tabela so as mdias dos 10 julgamentos (S). Na figura b encontra-
se a representao grfica destes dados. A linha tracejada corresponde  curva (funo de potncia) interpolada aos dados pelo mtodo dos quadrados 
mnimos. A expresso numrica correspondente  S = 0,75 1.11, mostrando que, para o julgamento de comprimento de linhas, o valor de n na funo de S. S. 
Stevens (S = KIfl)  prximo  unidade. 
Figura 2.13. a) Representao grfica das 3 formas muito diferentes que a funo de potncia de Stevens, S Kl1, pode assumir para diferentes contnuos 
fsicos e diferentes valores de n. Na curva A, n > 1, encontra-se o que ocorre, por exemplo, para o julgamento de magnitude de choques eltricos. Na curva B, 
n = 1, encontra-se o que ocorre, por exemplo, para o julgamento de compilmentos de linhas; na curva C, n < 1, o que ocorre para o julgamento de brilho. b) 
Apresentao grfica da funo de Stevens para quatro contnuos fsicos diferentes que geram valores de n entre 3,6 (choque eltrico) e 0,3 (brilho). 
Observe que agora ambas as escalas (escala fsica de magnitude dos estmulos e escala das magnitudes julgadas) esto expressas em unidades logartmicas, 
de modo que as curvas de potncia da forma S = Kl geram retas para qualquer valor de n. 
s 
10 
12 
14 
16 
18 
20 
9,7 
11,8 
14,0 
16,2 
18,6 
20,9 
Magnitude do estmulo (1) 
a 
Log magnitude do estmulo (Iog 1) 
56 
57 
Tabela 2.1. Expoente da funo de Stevens para diferentes Contnuos sensoriais. 
E 
E 
o 
E 
a. 
E 
o 
Figura 2.14. O grfico mostra os resultados de um experimento no qual o sujeito devia estimar a presso exercida por um peso 
sobre sua palma da mo atravs do comprimento de linhas traadas numa folha de papel. O procedimento era o seguinte: o 
experimentador aplicava um dos pesos sobre a palma da mo do sujeito e lhe pedia para traar uma linha correspondente de 
qualquer comprimento. Em seguida, aplicava-lhe um segundo peso sobre a palma da mo, e o sujeito traava uma outra linha 
correspondente ao peso, seguindo a regra de que ao dobro da presso a linha deveria ter o dobro de comprimento; se a sensao 
de presso fosse apenas 1/3 da presso da primeira aplicao do peso, a linha tambm deveria ter apenas 1/3 do comprimento. 
Os resultados do grfico mostram que a curva correspondente  quase linear, pois tanto a estimao de presso como de 
comprimento de linhas resulta em funes de Stevens com o expoente n prximo da unidade. Como foi explicada no texto, a 
estimativa da magnitude entre modalidades sensoriais distintas resulta num coeficiente que corresponde  relao entre os 
coeficientes das duas modalidades sensoriais. 
80 
70 
60 
50 
40 
30 
tiplicao, no qual o sujeito  convidado a escolher ou formar estmulos que correspondem a uma frao (1/2, 
1/3, 1/4 etc.) ou, respectivamente, a mltiplos (x2, x3, x4 etc.) de um estmulo padro. 
Outra variao interessante na consrruo de escalas de Stevens  no utilizar julgamentos em nmeros, mas 
sim sob forma de outras estimaes de magnitude. Assim, o sujeito pode ser instrudo a fazer corresponder, a 
diferentes intensidades de um som, diferentes intensidades de luz. O interessante  que se obtm novas 
escalas de razo, nas quais a curvatura (n) corresponde  relao das curvaturas (n1/n2) de cada uma das 
dimenses dos estmulos (som e luz). A figura 2.14 mostra um exemplo de um experimento deste tipo. 
20 
10 
100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 Presso (g*) 
58 
59 

Brilho 
0,
3 
Gosto para sal (NaC1) 
0,
4 
Cheiro para caf 
0,
5 
Volume sonoro 
0,
6 
Gosto para acar (sacarina) 
0,
8 
Vibrao (60 Hz) 
0,
9 
Comprimento linear 
1,
0 
Temperatura (frio) 
1,
0 
Abertura entre dedos 
1,
3 
Gosto para acar (sucrose) 
1,
3 
Peso 
1,
4 
Temperatura (calor) 
1,
6 
Saturao da cor vermelha 
1,
7 
Choque eltrico (corrente 
contnua) 
2,
5 
Choque eltrico (corrente 
alternada) 
3,
5 
